Entrevista: Benjamin Percy


Olá pessoal !


Como era de se esperar, afinal depois de todos os elogios tecidos sobre a obra dele, eu TINHA que tentar conversar com esse homem peculiar. A conversa com ele foi bastante agradável, e ele bastante interessante. Espero que vocês gostem do resultado final da entrevista e que tenham se sentindo instigado a ler a obra do autor.


Olá Ben. Primeiro, eu gostaria de agradecer a oportunidade de fazer essa entrevista com você.  A primeira pergunta é: De onde surgiu a ideia de escrever "Lua Vermelha"?

Algumas das minhas histórias favoritas da fantasia, algumas das histórias mais ressoantes nos canais de cultura. Olhe, por exemplo, com a forma como Frankenstein nasceu da Revolução Industrial e como a criatura encarna o medo da ciência e da tecnologia, do homem brincando de Deus.
Em 2010, quando eu me sentei em Brainstorm, eu considerei o que temíamos no momento. O terrorismo, por exemplo. O rescaldo do bombardeio na Maratona de Boston é um exemplo recente de como terror pode nos possuir, nos paralisar aos milhões. E a doença. Os americanos estão morrendo de medo de germes. Cada contador tem loção antibacteriana escorrendo dele. E cada vez que há uma ameaça - de gripe aviária, Ebola - todos os jornais são dominados por manchetes em pânico. Liguei essas duas coisas juntas. O medo do terrorismo e o medo da doença para criar o que eu acho que você poderia chamar da reinvenção do 11/9 (atentado, para quem não lembra) do mito sobre lobisomem.

Você trabalha apenas como escritor ou possui outra profissão?

Eu ensinei por quatorze anos em faculdades e universidades, mas eu agora me afastei das salsas de aula e escrevo em tempo integral. Eu gostava bastante de ensinar. Isso me fez sentir como se eu ganhasse meu oxigênio por isso. E talvez eu volte a fazê-lo algum dia. Porém se eu fizer, será sem reclamar. Mas, por agora, eu estou feliz em colocar toda a minha energia no teclado.

O que você está achando sobre as repercussões de seu trabalho em todo o mundo?

Eu tento entreter, educar, e incitar a discussão. Barry Hannah - autor de Dirigíveis - uma vez me deu alguns bons conselhos quando eu era um jovem escritor. "Emocione-me", disse ele. Eu tenho tentado fazer exatamente isso desde então. Emociono as pessoas com a escrita e emociono as pessoas com histórias.

O que levou você a escrever sobre lobisomens em "Lua vermelha" e como você escolher o modo de transmissão da doença? Você teve a ajuda de um médico nessa parte?

Eles sempre foram minha criatura sobrenatural favorita. Eu até escrevi uma "pesquisa" na escola primária intitulada "Lobisomens!" E sim, tinha uma exclamação – é porque eu estava muito animado.
Eles - como a história do Hulk e a história de Dr. Jekyll e Mr. Hyde - querem capturar algo assustador sobre a natureza humana. Todos nós temos essa selvageria dentro de nós que ocasionalmente vem desencadeada. Raiva, exaustão, drogas, bebidas. - seja qual for à causa, nós viemos de um id puro.Sentei-me com pesquisadores da Iowa State University e os laboratórios do USDA. Os médicos que se especializaram em patógenos de animais transmitidas. Eu queria ir mais além com um análogo físico para o mito lobisomem. Estes não são tão especializas sobre assuntos de seres da lua cheia. Eu estou usando uma ciência escorregadia para fazer a infecção se sentir tão real quanto possível.

Como foi o seu processo de escrita em "Lua vermelha"? Demorou quanto tempo para terminar o livro?

Eu penso sobre os romances para um ano ou mais antes de eu começar a escrevê-los. Eu escrevo histórias de personagens e fazer mapas da trama. Então, quando eu realmente começo a história, já tenho trabalhado a maior parte fora e o resto vem rapidamente. Então eu passei um ano de planejamento, um ano escrevendo, e depois de seis meses na revisão.

O epílogo de "Lua Vermelha" faz pensar em muitas coisas que podem acontecer. Podemos esperar uma continuação, visto que o lançamento do livro aconteceu em 2013 (novembro de 2013 no Brasil)?

Há uma porta de entrada no final. Uma porta que poderia levar a uma sequencia que eu já tenho traçado. Eu não sei se eu vou escrevê-lo ou não. Isso depende de como muitas pessoas reagem ao meu romance.

Em abril deste ano você lançou "As Terras Mortas". Você poderia nos contar um pouco sobre o que podemos esperar deste livro e se você já tem uma editora aqui no Brasil?

As Terras Mortas é sobre uma missão pós-apocalíptico após um pesadelo em toda a América. Eu não acredito que ele tem uma editora brasileira ainda. (Fica a dica)

Você tem muito contato com seus leitores? Eles sugerem novas formas ou histórias em seu trabalho como um autor?

Viajo frequentemente para eventos em festivais, conferências, universidades, livrarias e interajo com os leitores lá. Eu também tento manter uma presença bastante ativa no Twitter. É sempre um prazer, depois de passar muito tempo sozinho em minha caverna chamada escritório, para ver que meu trabalho está alcançando a outros.

Outra questão de interesse para todos os brasileiros: Você tem vontade de vir ao Brasil? Alguma ideia de quando você pode vir?

Eu adoraria visitar o Brasil. Ainda não tenho ideia, porém se alguma universidade ou organização de festival estender um convite, eu adoraria entrar e explorar.

O que você acha de blogs literários e seu papel no mundo?

Eles são uma ótima maneira de espalhar a notícia, criar conversas, e construir uma comunidade de pessoas de pensamento similar que acreditam que esses vinte e seis letras à nossa disposição são a invenção mais importante do mundo.

Nós do “Pausa Para Um Livro” e do “Fun’s Hunter” queremos agradecer a sua presença aqui na entrevista. Por ultimo, tem alguma mensagem para seus fãs brasileiros?

Obrigado por lerem “Lua Vermelha”. Se algum leitor brasileiro apreciar a história, por favor, que os outros saibam - e espalhe a infecção. A vocês, Tamiris e Paulo, obrigado pela oportunidade de levar “Lua Vermelha” para os brasileiros.
Então, o que acharam ?! Se eu fosse vocês, leria "A Lua Vermelha".
Beijos

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8 comentários

  1. Depois de ler sua resenha já fiquei com interesse em conferir o livro e depois desta entrevista então?! Achei o autor super legal e acessível. Gostei das respostas que ele deu. Achei super interessante a entrevista, é legal conhecer a pessoa por trás da obra.
    Abraço!

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  2. eu adoro entrevista com autores!!
    é tão legal ver as inspiração, e estimula a tentar tirar as ideias de cabeça e começar colocar no papel e espero que alguém convide ele p vim para o Brasil ^^

    p.s. em uma das respostas tem "salsas " eu ACHO que é sala ...

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  3. Hello!
    Ohhh...gostei demais do seu papo com o Benjamin Percy, nao conhecia, mas ja to gostando.
    Concordo com o autor e os lobisomens sao demais, hehe, tb sao meus sobrenaturais favoritos!
    Vou ler com certeza Lua vermelha! E pelo jeito precisamos de uma continuação ne?! Tomara que ele anime de escrever.
    Temos que chamar ele para a Bienal de SP!!!!Bora dar um toque nos organizadores.
    Beijos.

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  4. Tenho visto falar muito obre o livro dele, mas ainda não li. Adorei a ntrevista e conhecer mai sobre ele. Desejo muito sucesso a ele e que ele no futuro escreva ainda mais livros

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  5. Muito legal saber um pouquinho mais sobre a autor, e quando é assim através de entrevista melhor ainda, porque é legal aber a opinião dele sobre a obra, oque ele imaginou ao escrever, o que ele pretendia as expectativas tudo isso, e já imaginava que ele amava os lobisomens assim como eu , agora tenho certeza rsrs
    Muito bom , amei a entrevista

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  6. Olá!


    Já queria ler Lua Vermelha, depois dessa entrevista então.. Quero muito mais! Haha
    Gente, a trama parece ser incrível, de acordo com o que o Benjamin escreveu, ele foi super cuidadoso com os detalhes..
    Já quero ler As Terras Mortas também, tomara que seja lançado no Brasil!

    Beijo.

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  7. Adorei a entrevista, eu ainda não li nem um livro do autor, mas quero muito ler Lua Vermelha, pois a história é de um estilo que curto ler, o autor parece ser bem interessante, foi bom conhecer um pouco mais sobre o livro e sobre o autor.

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  8. Olá!

    Que entrevista bacana! Adorei e fiquei ainda mais curiosa para ler o livro!

    Beijos!
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