Entrevista: Raphael Montes

Olá pessoal !!


E hoje finalmente estou trazendo a entrevista com ele, Raphael Montes, autor de "O Vilarejo" (que foi resenhado ontem no canal) e "Dias Perfeitos" e "Suicidas". 


Vamos lá?


Blog: A primeira pergunta é aquela que todo mundo faz, que pra você quem é Raphael Montes?

Ah! Isso é muito louco porque quando eu encontro gente às vezes na rua que leu meu livro dizendo que tava feliz por que me encontra é muito louco porque pra mim é obvio... Agora eu entendo, assim, a visão de algumas pessoas que estão bem mais famosas que eu e que não entendem muito porque aquelas pessoas estão falando com ela daquele jeito, fotografando e etc. Eu... pra mim Raphael Montes é só um cara que gosta de contar histórias e gosta de muito de ir pra praia, de ler, de ir ao cinema  e de ficar com os amigos, assim eu sou um cara muito norma, meu dia a dia é muito normal, não tem anda de excêntrico ou bizarro e, que o que gosta de fazer é contar umas histórias um pouco macabras. 

Blog: Pronto, sua resposta nos leva a próxima pergunta que é porque você escolheu escrever sobre esse gênero?

Olha muita gente me pergunta se, por exemplo, eu tivesse começado a gostar de ler fantasia se eu seria um autor de fantasias, se eu tivesse começado a gostar de ler um romance romântico eu seria um autor de livros agua com açúcar, e eu não sei responder. O que eu sei é que eu comecei a ler um pouco tarde, na minha família ninguém tem o costume de ler, então eu comecei a gostar mesmo de ler com 14 anos, comecei a pegar livros. E eu comecei pela literatura policial, então como eu comecei pela literatura policial... e logo que eu comecei a gostar de ler eu quis começar a escrever, então, tive esse estalo de revelação, eu li e falei “quero fazer isso aí”. E desde então eu tô fazendo histórias de violência, crimes, que são assuntos que me interessam. 

Blog: Então, se houvesse a possibilidade de escrever outro gênero, você não está aberto?

Então assim, eu acho que há gêneros possíveis sim, sei lá...  um drama, terror que eu tô fazendo agora e que eu não fazia antes, cada vez eu quero tentar mais, quero abrir mais a minha cabeça para coisas sobrenaturais, que é uma questão de dificuldade minha mesmo, eu sou uma pessoa que não assiste tantos filmes sobrenaturais, fantasia e tal. Eu assisto coisas muito realistas, eu gosto muito do realismo, entendeu? Mas eu particularmente tô querendo criar coisas mais sobrenaturais, de monstros e espíritos e etc. Mas não tenho assim... Acho que tudo é possível, o que é bem difícil é eu escrever é um romance água com açúcar, acho que nisso eu não vou não. 

Blog: Como você falou, você também gosta de ler. Que é natural que todo autor tenha sido um leitor (Raphael: antes não, antes e durante), é, antes e durante, mas normalmente vem mais antes porque durante você está escrevendo, então o ritmo de leitura cai um pouco (Raphael: mas eu leio muito durante também, eu leio muito). Lê muito ainda? (Raphael: Claro, enquanto escrevo, claro.). No seu universo como leitor quais os autores que chamam mais a sua atenção?

Minhas duas autoras favoritas são Patrícia Highsmith e Agatha Christy. (Tamiris: A primeira eu não conheço, a segunda sim)... A Patrícipa Highsmith é ótima também, tem um trabalho muito conhecido que é “O talentoso Ripley”, é bem bom, vale a pena. Eu adoro as duas, hoje em dia eu leio de tudo, as pessoas acham que eu leio só policial e é mentira, na verdade eu leio bem pouco hoje em dia policial, eu leio de autores amigos, autores que eu gosto, sei lá, Ian Mecwean, Italo Calvino, autores que eu gosto que não seja de policial necessariamente. Enfim, tudo que cai na minha mão eu tô lendo. (Tamiris: Romance não?!)... Romance romântico não, muito pouco. (Tamiris: Era de se esperar...) eu li a muito anos atrás aquele “As Pontes de Madisson”, mas hoje em dia não.


Blog: Como tem sido a repercussão dos seus livros no Brasil e no mundo?

Ah, tem sido bem legal. Assim, no Brasil eu tenho sido muito feliz porque meus livros são todos muito elogiados, todos os três, é até divertido porque os leitores brigam para dizer qual é o melhor, não tem um que eles viraram declarando ser o pior, nenhum deles. Isso é muito legal. E as opiniões variam muito, tem uns que amam o primeiro, e outros já amam o segundo, e agora tem uns que amam o terceiro e acha esse o melhor. Isso prova que os três pelo menos “bonzinhos” eles são. E fico muito feliz, e assim, eu confesso que nesse sentido eu sou pouco popular, eu não escrevo pensando em fazer sucesso, nem pensando em fazer algo que os leitores gostem. Eu não sei o que o leitor gosta, então me recuso a pensar o que vai agradar o leitor. Eu falo sobre algo que vai me agradar, e eu acho que se me agrada vai agradar mais gente. Minha maneira de pensar, o livro que eu faço e digo “o livro tá pronto” é porque me agrada, é um livro que eu gostaria de ler. E aí, é obvio que ao mesmo tempo em que não escrevo para os leitores, e ganho mais leitores eu fico mais feliz. Eu adoro meus leitores, você sabe, mantenho contato com meus leitores nas redes sociais, e adoro conversar sobre os livros, mas ao mesmo tempo eu não escrevo pensando no leitor, entendeu? 

Blog: Mas, os seus leitores eles dão dicas ou críticas, dão histórias novas ou eles são mais do tipo que ficam “agradando” mais você?

Ah! Tem de tudo, tem uns que fazem críticas construtivas, tem gente que crítica mal educada, tem os que elogiam e só elogiam, porque adoram... Tem os que sugerem novas histórias, assim, pedem mais histórias de “O Vilarejo”, ou pedem a continuação de “Dias Perfeitos”, e é até uma maneira de mostrar o que eu te disse, eu acho que se eu escrevesse para os leitores, eu faria continuação de “Dias Perfeitos”, mas é muito simples: eu não quero fazer e pronto. (Tamiris: pra você a história acabou ali e pronto.) É, pra mim acabou e pronto, não tem o que fazer mais. Nesse sentido, eu sou meio pessoal, se eu não quero fazer mais não faço, mesmo que os leitores queiram eu não faço. Recebo sim ideias de como fazer uma continuação, porque com o final que eu dei para Dias Perfeitos não precisa de continuação. Mas eles dão um jeito nisso, de achar uma continuação. No estrangeiro foi super legal também, o livro já saiu na Espanha, em Portugal, na França, na Holanda e na Itália. E na Holanda, o livro entrou para a lista de mais vendidos, foi maior sucesso. 

Blog: Recentemente, você teve uma obra lançada pela Suma, que foi “O Vilarejo”, que tem aqueles sete contos envoltos dos pecados capitais. Você tinha alguma mensagem de caráter social ao escrever aquele livro, ou foi só uma história de horror, muito bem escrita por sinal?

Olha, eu acho que a boa literatura ela é feita em várias camadas, ou seja, eu acho que na superfície qualquer livro tem que divertir, então eu faço questão que meus livros divirtam, e sejam tensos, macabros, com surpresa e descrições e sejam tocantes. Acho que na superfície tem que ser isso. Agora, o livro que só diverte é a meu ver ruim. Eu conheço muitos autores que só fazem livros para divertir, e eu acho isso bobo. Eu acho que o bom livro que além de divertir ele traz alguma coisa além disso, ele traz uma reflexão, uma mensagem, uma provocação. “O Vilarejo” como ele trata dos pecados capitais eu pude ali explorar de uma maneira muito clara ao meu ver o lado mal dos ser humano, como a maldade está em todos nós. Tem uma certa mensagem, sobre como o mal surge. E o meu conto favorito é “O negro caolho”, que tem aquela questão sobre o racismo, que trata ao meu ver do racismo sobre um ponto muito interessante. Ele conta a história do negro que chega em um vilarejo só de gente branca, e essa senhora o salva da morte, e o abriga em sua casa. Só que ao salvar, ela usa isso como desculpa para escraviza-lo. Então esse conto fala um pouco sobre o racismo velado que é algo que vivemos hoje em dia, que é aquele que fala “Ah! Eu não sou racista, eu tenho até amigo preto.”. É esse racismo que a gente vive hoje em dia. Então eu acho que toda boa história tem isso, tem uma primeira leitura superficial que te diverte, e tem uma leitura mais densa e um olhar mais crítico, pra quem reler o livro por exemplo, que tenta encontrar algo a mais no livro.

Blog: Você tá trabalhando em algo novo já, ou ainda tá curtindo o lançamento de “O Vilarejo”?

Não tem essa de curtir o lançamento de nada não, tem que escrever. (risos) Tô escrevendo, tô na metade do livro já e tô escrevendo para televisão e cinema. Então, passo o dia escrevendo. De tudo um pouco.

Blog: Agora vou fazer uma pergunta onde você puxa meu saco mesmo: sobre nós, blogueiros literários, o quanto você acha importante nesse mundo?

Olha, eu vou ser sincero, eu sou uma pessoa muito desligada do mundo digital, não sou de usar muito isso para bem próprio. Não tenho convívio com esse universo, quando publiquei “Os Suicidas” foi que eu conheci o universo do blog, porque o livro foi resenhado em alguns blogs, e eu pensei “Ah, que legal, existe isso”, e achei legal porque é a maneira de você ter resposta crítica sobre o seu trabalho. No “Dias Perfeitos” eu fiz questão de negociar com a editora que houvesse uma cota de exemplares que fosse mandados só para blogueiros, foi um pedido meu, eu quis que no contrato dissesse que trezentos exemplares fossem enviados a blogueiros. Então eu acho que é uma mídia muito importante, essencial que é de dar uma opinião popular sobre o livro e toma de consulta para pessoas que entram na livraria e querem saber se vale a pena ou não ler aquele título, então entram na internet e vê uma resenha literária em um blog. Mas ainda, eu acho que ajuda a criar um certo burburinho e interesse no livro. Então particularmente, eu adoro blogueiros, e sempre que posso estou conversando e dando entrevista por Skype para alguns, para Tamiris, por exemplo. (risos)

Blog: Para acabar, deixe uma mensagem para os seus fãs, o que você pensar aí.

A mensagem que eu vou deixar para os meus leitores (e os seus) que estão lendo essa entrevista é que independentemente do que vocês gostem de ler, que vocês experimentem. Se vocês estão acostumados a ler romances românticos, que leiam livros terror. Se estiverem acostumados a ler terror, leiam romances românticos. Se você está acostumado a ler fantasia, leiam policial. Se estiver lendo policial, leiam fantasia. Eu sinto que as pessoas ficam muito presas num gênero quando elas descobrem esse gênero, e as vezes é legal respirar e descobrir novos gêneros. Nos meus livros, tanto “O Vilarejo” quanto “Dias Perfeitos” eu fico muito feliz com a quantidade de pessoas que falam que “ah, li Dias Perfeitos mas eu nunca tinha lido nenhum livro policial, ou de suspense” ou ‘Li O Vilarejo mas nunca tinha lido livros de terror porque morria de medo”. Então eu acho que meus livros são sempre boas portas de entrada pro gênero e acho que isso é muito legal. Então eu convido a todo mundo que nunca experimentou um livro de terror que leia “O Vilarejo”, que nunca experimentou um livro policial que leia “Dias Perfeitos”, e quem quiser me procurar nas redes sociais estou no twitter com o @montesraphael , no instagram com @raphael_montes e estou no facebook com /raphaelmontes3 , porque o primeiro e o segundo já estavam lotados, estou eu lá, basta me adicionar. Será ótimo manter contato com os leitores.
Siga o autor nas suas redes sociais:


Ele não é legal ?! Acho que ele tirou um pouco da duvida de vocês.
Beijos

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6 comentários

  1. Olá!!
    Gente ele é ótimo sou fã do Raphael Montes ele é um simpatia num é, todo mundo que conhece ele diz que gosta muito dele.
    Amei a entrevista só reafirmou o que eu já sabia e imaginava sobre ele, e é muito bom saber as inspirações expectativas, nossa espero muito poder conhecer ele algum dia.
    Bjocas
    Bjocas

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  2. Olá,

    Não conhecia o autor, ele parece ser muito gente boa e determinado!
    To ouvindo muito falar sobre o livro Vilarejo esses dias, to super curiosa pra ler!

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  3. Adorei a entrevista, o autor parece ser bem simpático, quero muito ler O Vilarejo, adorei saber na pergunta de qual outro gênero ele gostaria de escrever, ele citar que escreveria livros relacionados ao sobrenatural, pois gosto de livros assim.

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  4. Conheço somente O Vilarejo, os outros ainda não tinha conhecimento. Eu gostei muito da ideia do livro O Vilarejo e me interessei, quero muito ler. Achei o autor divertido, direto ao ponto e sincero. Compartilho com ele a ideia de que leitor deve ler de tudo, conhecer vários gêneros. Gostei da entrevista, foi muito legal conhecer o autor.
    Abraço!

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  5. ainda não li nada do raphael, mas estou desesperada p ler o vilarejo.
    pelo jeito ele parece ser uma simpatia, adorei os comentários sobre as criticas, realmente tem gente p tudo.
    bom, como eu sou uma leitora meio de ler de tudo, apesar de adorar fantasia uma das minha autoras favoritas é a agatha (como ele tb) então eu tenho q concordar com ele de experimentar um pouco de tudo
    ah, parabéns para o blog não ter começado a entrevista com a pergunta de sempre: "qual a inspiração"

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  6. Ainda não li nem um livro do autor Raphael Montes, mas pela entrevista ele parece ser bem simpático, é sempre bom conhecer novos autores da literatura nacional e seus livros.

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